Sejam bem-vindos! Neste blog darei dicas de Literatura aos alunos do Ensino Médio! Espero que apreciem. Beijos.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
O que é Literatura?
Literatura
Resumo 1
O que é literatura?
Realidade artística # Realidade factual
(Obras literárias, pinturas etc.) (Textos científicos, textos jornalísticos etc.)
Classificações dentro da Literatura
Dada as duas dimensões (de forma e de conteúdo) que uma palavra encerra dentro de si, os produtos da arte literária serão também classificados de 2 modos:
1) De acordo a sua forma (formas literárias): as obras literárias são escritas ou na forma de verso ou na forma de prosa.
Narrativo
Lírico
Dramático
Os estilos artísticos
Quadro cronológico dos estilos artísticos
PORTUGAL BRASIL
Trovadorismo (1189-1434)
Humanismo (1434-1527) Literatura informativa (1500-1600)
Classicismo (1527-1580)
Barroco (1580-1756) Barroco (1600-1768)
Arcadismo (1756-1825) Arcadismo (1768-1836)
Romantismo (1825-1865) Romantismo (1836-1881)
Realismo (1865-1890) Realismo/Naturalismo (1881-1893)
Simbolismo (1890-1915) Simbolismo (1893-1922)
Modernismo (1915 em diante) Modernismo (1922-1945)
Pós-modernismo (1945 em diante)
Resumo 1
O que é literatura?
A literatura é uma arte que se utiliza da palavra (tanto escrita
quanto oral) como meio de expressão dos sentimentos, crenças e valores
dos seres humanos.
Assim sendo, a literatura é uma forma artística de representar a
realidade que nos cerca. Por ser uma forma artística de representação,
ela não retrata o real tal como ele é (coisa que acontece, por exemplo,
nos textos jornalísticos, científicos etc.), mas sim retrata uma
realidade criada pela visão do artista.
Realidade artística # Realidade factual
(Obras literárias, pinturas etc.) (Textos científicos, textos jornalísticos etc.)
O autor de uma obra literária é aquele que realiza um trabalho com a
linguagem visando produzir determinados efeitos sobre o leitor
utilizando-se, para isso, da forma e do conteúdo das palavras.
Toda palavra possui uma forma e um conteúdo.
Por exemplo, a palavra “amor” remete a um conteúdo (que é aquilo que a
nossa mente entende quando alguém nos fala “amor”, isto é, o significado
da palavra “amor”) e a uma forma (a palavra “amor” tem uma forma
composta por consoantes, sílabas, sons etc. que variam de idioma para
idioma). Assim, podemos dizer que um grande literato é aquele que
conhece e tem um domínio sobre a forma e o conteúdo das palavras de sua
língua.
Classificações dentro da Literatura
Dada as duas dimensões (de forma e de conteúdo) que uma palavra encerra dentro de si, os produtos da arte literária serão também classificados de 2 modos:
1) De acordo a sua forma (formas literárias): as obras literárias são escritas ou na forma de verso ou na forma de prosa.
2) De acordo ao seu conteúdo (gêneros literários): as obras
literárias podem conter uma narração sobre fatos que se ligam no tempo
(que pode ser o tempo cronológico, externo, ou tempo interno,
psicológico) e no espaço por meio da movimentação de personagens. Neste
caso, temos o gênero narrativo, onde se tem a
necessidade de um narrador dos fatos, que pode ser tanto um
personagem-narrador (que conta a história e participa dela em primeira
pessoa) ou um narrador-onisciente (que apenas narra os fatos em terceira
pessoa, sem qualquer participação naquilo que é contado). Além do mais,
as obras literárias podem conter a expressão do mundo subjetivo do EU
do “personagem”, da sua individualidade, isto é, do “Eu lírico” da obra
(que, por sua vez, não pode ser confundido com o Eu real do escritor.).
Neste caso, temos o gênero lírico. Por último, as obras literárias podem ser escritas com o objetivo de serem encenadas (teatralizadas). Neste caso, temos o gênero dramático.
Para aplicar tais classificações, analisemos a obra “O auto da barca
do inferno”, do mestre Gil Vicente. Trata-se de uma obra que tem, por
forma, o verso e, por conteúdo, o dramático (pois foi criada com o
objetivo de ser encenada). Nota-se, portanto, que cada um dos gêneros
literários pode ser escrito tanto sob a forma de verso quanto sob a
forma de prosa (ou mesmo uma mescla de ambos, como é o caso da prosa
poética).
Subdivisões dos gêneros literários
Os 3 gêneros literários (narrativo, lírico e dramático) são, por sua
vez, também subdivididos. Obtém-se, assim, em relação a cada um dos
gêneros:
Narrativo
Narrativas em verso: são chamadas de epopeias ou poemas épicos. São
longas narrativas em verso sobre assuntos grandiosos contendo
personagens do tipo heroico.
Ex: epopeia de Gilgamesh, Ilíada, Odisseia, Eneida, Os lusíadas etc.
Narrativas em prosa: são os romances, novelas, contos e fábulas. No
romance, temos uma narrativa longa, com vários personagens e várias
situações dramáticas que se entrecruzam. Em uma novela, temos uma
narrativa mais concisa e situações dramáticas que giram em torno de
apenas 1 personagem central. Já em um conto, tem-se uma narrativa
extremamente breve, de teor psicológico mais denso, personagens
complexos e apenas uma situação dramática. Por fim, temos a fábula,
composta por uma narrativa curta de cunho moral, visto que a história
contada visa transmitir uma mensagem de fundo moral. Para isso,
utiliza-se de personagens animais que encarnam os diversos tipos humanos
(por exemplo, o avarento, o ambicioso, o parcimonioso etc.).
Lírico
As obras do gênero lírico – que são aquelas em que não se conta uma
história (ao contrário do gênero narrativo) e sim há a expressão de uma a
subjetividade (os sentimentos íntimos, visão de mundo etc.) - podem de
se dar tanto na forma de versos quanto na de prosa. Um exemplo do
primeiro é o “Soneto de fidelidade”, de Vinícius de Moraes (“De tudo ao
meu amor serei atento/Antes e com tal zelo e sempre e tanto/Que mesmo em
face do maior encanto/Dele se encante mais meu pensamento”).
Dramático
Caracterizando-se pelo fato de apresentar a encenação de um texto, o
gênero dramático possui várias formas de expressão, sendo os mais
importantes:
- A tragédia (origem na Grécia antiga), onde se encenam ações que
visam despertar o terror e a piedade, tendo por fim alertar para os
perigos das paixões e dos vícios humanos.
- A comédia (origem na Grécia antiga), que objetiva criticar a sociedade e o comportamento humano por meio do riso.
- A farsa (origem no século XIV), peça teatral curta que, ao explorar
situações ridículas do cotidiano e apelar para personagens
caricaturescos e exagerados, pretende provocar o riso no espectador.
- O auto (origem também na Idade Média), peça breve geralmente feita
em verso, contendo conteúdo religioso ou profano. Caracteriza-se por
possuir um conteúdo altamente simbólico, onde os atores representam não
seres humanos específicos, mas sim entidades abstratas de caráter
religioso ou moral (a virtude, o pecado, a beatitude etc).
Obs.: também se pode usar o termo “peça dramática” como sendo
qualquer peça teatral séria em oposição a uma comédia propriamente
dita.
Os estilos artísticos
Embora cada um dos autores tenha sua própria originalidade e
singularidade, eles carregam entre si similitudes que permitem
classificá-los naquilo que se denomina “estilo de época”, isto é, o
estilo literário que predomina num determinado período histórico. Além
do mais, a publicação de uma obra extremamente inovadora ou mesmo um
fato histórico que repercute em toda a cultura de uma época podem servir
de ponto de partida para a consolidação de novos estilos artísticos
diversos daquele que predomina em determina sociedade. Com relação à
literatura brasileira, seu estudo exige também o estudo da literatura
portuguesa, dado os laços de dependência histórico- culturais entre os
dois povos.
Quadro cronológico dos estilos artísticos
PORTUGAL BRASIL
Trovadorismo (1189-1434)
Humanismo (1434-1527) Literatura informativa (1500-1600)
Classicismo (1527-1580)
Barroco (1580-1756) Barroco (1600-1768)
Arcadismo (1756-1825) Arcadismo (1768-1836)
Romantismo (1825-1865) Romantismo (1836-1881)
Realismo (1865-1890) Realismo/Naturalismo (1881-1893)
Simbolismo (1890-1915) Simbolismo (1893-1922)
Modernismo (1915 em diante) Modernismo (1922-1945)
Pós-modernismo (1945 em diante)
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Lista de Livros para o Vestibular de 2014
Lista de livros para o Vestibular de 2014
Cefet-MG
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
♦ Uma vida em segredo - Autran Dourado
Facasper (SP)
Faculdade Cásper Líbero
♦ Til – José de Alencar
♦ Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
♦ O cortiço – Aluísio Azevedo
♦ Sentimento do mundo – Carlos Drummond de Andrade
♦ O fio das missangas – Mia Couto
♦ Leite derramado – Chico Buarque
FACTO
Faculdade Católica do Tocantins
♦ Til – José de Alencar
♦ O Rio Tocantins engoliu meu avô – Francisco Perna
FGV-EAESP
Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas
♦ Memórias de um sargento de milícias – Manuel Antônio de Almeida
♦ Senhora – José de Alencar
♦ O cortiço – Aluísio Azevedo
♦ Quincas Borba – Machado de Assis
♦ O Ateneu – Raul Pompeia
♦ Macunaíma – Mário de Andrade
♦ Sâo Bernardo – Graciliano Ramos
♦ A rosa do povo – Carlos Drummond de Andrade
♦ Morte e vida severina – João Cabral de Melo Neto
♦ A hora da estrela – Clarice Lispector
Fuvest e Unicamp
Universidade de São Paulo (USP)
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
♦ Viagens na minha terra – Almeida Garrett
♦ Til – José de Alencar
♦ Memórias de um sargento de milícias – Manuel Antônio de Almeida
♦ Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
♦ O cortiço – Aluísio Azevedo
♦ A cidade e as serras – Eça de Queirós
♦ Vidas secas – Graciliano Ramos
♦ Capitães da areia – Jorge Amado
♦ Sentimento do mundo – Carlos Drummond de Andrade
IF Goiano
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano
♦ Lira dos Vinte’Anos - Álvares de Azevedo
♦ O cortiço - Aluísio Azevedo
♦ O leopardo é um animal delicado - Marina Colasanti
♦ Pomba enamorada ou Uma história de amor e outros contos escolhidos - Lygia Fagundes Telles
PUC-Goiás
Pontifícia Universidade Católica de Goiás
♦ O fio das missangas – Mia Couto
♦ Maya – Ursulino Leão
♦ Breve história do espírito – Sérgio Sant'Anna
♦ Inocência – Visconde de Taunay
♦ Os pecados da tribo – José J. Veiga
♦ Melhores Poemas de Castro Alves – Antônio de Castro Alves
♦ O homem e sua hora – Mário Faustino
♦ Auto da Compadecida – Ariano Suassuna
PUC-SP
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
♦ Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
♦ Sentimento do Mundo – Carlos Drummond Andrade
♦ Til – José de Alencar
♦ Viagens na Minha Terra – Almeida Garrett
♦ Vidas Secas – Graciliano Ramos
UDESC
Universidade do Estado de Santa Catarina
♦ A Hora da Estrela - Clarice Lispector
♦ Últimos Sonetos - Cruz e Sousa
♦ Clarissa - Érico Veríssimo
♦ O detetive de Florianópolis - Jair Francisco Hamms
♦ Helena - Machado de Assis
UEG
Universidade Estadual de Goiás
♦ Triste Fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto
♦ Ai de Ti, Copacabana – Rubem Braga
♦ Estórias da casa velha da ponte – Vinícius de Moraes
♦ Melhores Contos – JJ. Veiga
♦ Indicente em Antares – Érico Veríssimo
UEL
Universidade Estadual de Londrina
♦ Cidade de Deus – Paulo Lins (a partir da 2ª. edição)
♦ As Melhores Crônicas de Rachel de Queiroz – Rachel de Queiroz
♦ Espumas flutuantes – Castro Alves
♦ São Bernardo – Graciliano Ramos
♦ Papéis avulsos – Machado de Assis
♦ Sagarana – Guimarães Rosa
♦ O Primo Basílio – Eça de Queirós
♦ O Planalto e a Estepe – Pepetela
♦ Farsa de Inês Pereira – Gil Vicente
♦ Bagagem – Adélia Prado
UEM (Vestibular de Verão 2013)
Universidade Estadual de Maringá
♦ A falecida – Nelson Rodrigues
♦ Contos novos – Mário de Andrade
♦ Dois irmãos – Milton Hatoum
♦ Dom Casmurro – Machado de Assis
♦ Eu e outras poesias – Augusto dos Anjos
♦ Iracema – José de Alencar
♦ Laços de família – Clarice Linspector
♦ Marília de Dirceu – Tomás Antônio Gonzaga
♦ Poesias completas – Cruz e Sousa
♦ Semões do Padre Vieira – Padre Antônio Vieira
UEMA
Universidade Estadual do Maranhão
♦ Romance LIII ou Das palavras aéreas (Romanceiro da Inconfidência) – Cecília Meireles
♦ Saraminda – José Sarney
♦ Da arte de falar bem – José Chagas
UEMG
Universidade do Estado de Minas Gerais
♦ A mão e a luva – Machado de Assis
♦ Sísifo desce a montanha – Affonso Romano de Sant’Anna
UENP
Universidade Estadual do Norte do Paraná
♦ Helena – Machado de Assis
♦ Laços de família – Clarice Lispector
♦ Memórias de um sargento de Milícias – Manuel Antonio de Almeida
♦ A morte e a morte de Quincas Berro Dágua – Jorge Amado
♦ São Bernardo – Graciliano Ramos
UEPB
Universidade Estadual da Paraíba
♦ Clara dos Anjos – Lima Barreto
♦ Ciço de Luiza – Efigênio Moura
♦ Mastigando Humanos - um romance psicodélico – Santiago Nazarian
♦ É proibido comer a grama – Wander Piroli
UEPG
Universidade Estadual de Ponta Grossa
♦ O Guarani – José de Alencar
♦ Dom Casmurro – Machado de Assis
♦ Muitas Vozes – Ferreira Gullar
♦ Dois Irmãos – Milton Hatoum
♦ Felicidade Clandestina – Clarice Lispector
UERN
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
♦ A rosa do povo – Carlos Drummond de Andrade
♦ Laços de família – Clarice Lispector
♦ Fogo morto – José Lins do Rego
♦ Esaú e Jacó – Machado de Assis
♦ Horoto – Auta de Souza
UESB
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
♦ Clepsidra - Camilo Pessanha
♦ Sagarana - Guimarães Rosa
♦ Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
UFES
Universidade Federal do Espírito Santo
♦ Monó logo de uma sombra – Augusto dos Anjos
♦ Dois perdidos numa noite suja – Plínio Marcos
♦ Terra sonâmbula – Mia Couto
♦ Singularidades de uma rapariga loira, Adão e Eva no paraíso, Civilização e O defunto – contos de Eça de Queiroz
♦ O recado do morro – Guimarães Rosa
♦ As meninas – Lygia Fagundes Telles
♦ O matador – Patrícia Melo
♦ Zero – Douglas Salomão
♦ Ai de ti, Copacabana – Rubem Braga
UFG
Universidade Federal de Goiás
♦ Poesia, antologia do 50º aniversário de poesia – José Godoy Garcia
♦ Lira dos Vinte’Anos – Álvares de Azevedo
♦ Eu vos abraço, milhões – Moacyr Scliar
♦ O cortiço – Aluísio de Azevedo
♦ Liberdade, liberdade - Flávio Rangel e Millôr Fernandes
♦ Melhores contos - J.J. Veiga
UFGD
Universidade Federal da Grande Dourados
♦ O beijo no asfalto - Nelson Rodrigues
♦ Laços de família - Clarice Lispector
♦ Estórias abensonhadas - Mia Couto
♦ Menino de engenho - José Lins do Rego
♦ Ficções de interlúdio - Fernando Pessoa.
Filme
♦ Terra vermelha - Marcos Bechis.
UFLA
Universidade Federal de Lavras
1ª etapa PAS (2014/2016)
♦ A carta de Pero Vaz de Caminha
♦ Marília de Dirceu – Tomás Antônio Gonzaga
♦ Antologia poética – Gregório de Matos
2ª etapa PAS (2013/2015)
♦ Esaú de Jacó – Machado de Assis
♦ O Cortiço – Aluísio Azevedo
♦ Antologia poética – Olavo Bilac
UFPR
Universidade Federal do Paraná
♦ Anjo Negro – Nelson Rodrigues
♦ Claro Enigma – Carlos Drummond de Andrade
♦ Fogo Morto – José Lins do Rego
♦ Inocência – Visconde de Taunay (Alfredo d’Escragnolle Taunay)
♦ Luciola – José de Alencar
♦ Os Dois ou o Inglês Maquinista – Luís Carlos Martins Pena
♦ O Bom Crioulo – Adolfo Caminha
♦ Poemas Escolhidos – Gregório de Matos (organização de José Miguel Wisnik)
♦ Urupês – Monteiro Lobato
♦ A Última Quimera – Ana Miranda
UFRGS
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
♦ Terras do Sem Fim - Jorge Amado
♦ Boca de Ouro - Nelson Rodrigues
♦ As Parceiras - Lya Luft
♦ O Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)
♦ Memórias de um Sargento de Milícias - Manuel Antônio de Almeida
♦ Esaú e Jacó - Machado de Assis
♦ A Educação pela Pedra - João Cabral de Melo Neto
♦ História do Cerco de Lisboa - José Saramago
♦ O Centauro no Jardim - Moacyr Scliar
♦ Contos Gauchescos - João Simões Lopes Neto
♦ O pirotécnico Zacarias; O ex-mágico da Taberna Minhota; Bárbara; A cidade; Ofélia, meu cachimbo e o mar; A flor de vidro; Os dragões; Teleco, o coelhinho; O edifício; O lodo; O homem do boné cinzento; O convidado - Murilo Rubião
♦ A Nosso Senhor Jesus Christo com actos de arrependimento e suspiros de amor; A Jesus Cristo Nosso Senhor; Inconstância dos bens do mundo; À cidade da Bahia (2) (soneto); A Maria dos povos, sua futura esposa; Epílogos; A uma dama; A instabilidade das cousas no mundo; A certa personagem desvanecida; Aos principais da Bahia chamados caramurus; À procissão de cinza em Pernambuco; Milagres do Brasil São; Retrato/Dona Ângela; Contemplando nas cousas do mundo; E pois coronista sou; Ao padre Lourenço Ribeiro, homem pardo que foi vigário da freguesia do Passé; Define a sua cidade; Descreve a vida escolástica; À cidade da Bahia (2); Aos vícios; Descreve a confusão do festejo do Entrudo; Solitário em seu mesmo quarto à vista da luz; Aos afetos e lágrimas derramadas; Admirável expressão que faz o poeta de seu atencioso silêncio; Definição do amor – romance - Gregório de Matos Guerra.
UFSC
Universidade Federal de Santa Catarina
♦ Helena – Machado de Assis
♦ Clarissa – Érico Veríssimo
♦ Amar, verbo intransitivo – Mário de Andrade
♦ Orfeu da Conceição – Vinicius de Moraes
♦ Gabriela, cravo e canela – Jorge Amado
♦ A Hora da Estrela – Clarice Lispector
♦ Últimos Sonetos – Cruz e Sousa
♦ O detetive de Florianópolis – Jair Francisco Hamms
UFSJ
Universidade Federal de São João del-Rei
Módulo II - PAS 2013/2
♦ Antologia Poética – Olavo Bilac
♦ Esaú e Jacó – Machado de Assis
♦ Lira dos Vinte Anos – Álvares de Azevedo
UFSM
Universidade Federal de Santa Maria
PS1
♦ Melhores poemas de Cláudio Manuel da Costa – Org. Francisco Iglesia
♦ A carta de Pero Vaz de Caminha – Org. Sílvio Castro
♦ O Uruguai – Basílio da Gama
♦ Sermão de Santo Antônio aos Peixes – Padre Antônio Vieira
PS2
♦ Iracema – José de Alencar
♦ Várias histórias – Machado de Assis
♦ Noite na taverna – Manuel Antônio Álvares de Azevedo
♦ Grandes poemas do romantismo brasileiro – Org. Alexei Bueno
♦ O bom crioulo – Adolfo Caminha
PS3
♦ Calabar, o elogio da traição – Ruy Guerra e Chico Buarque
♦ Nove noites – Bernardo Carvalho
♦ A hora e a vez de Augusto Matraga – João Guimarães Rosa
♦ Os cem melhores contos brasileiros do século – Org. Italo Mariconi
♦ Os cem melhores poemas brasileiros do século – Org. Italo Mariconi
♦ Noite – Érico Veríssimo
UFT
Universidade Federal do Tocantins
♦ Os Órfãos do Eldorado – Milton Hatoum
♦ Felicidade Clandestina – Clarisse Lispector
♦ Bagagem – Adélia Prado
♦ O Teatro de Múcio Breckenfeld (Coletânea Volume I) – Múcio Breckenfeld
UFV
Universidade Federal de Viçosa
2ª etapa Pases 2013
♦ Esaú e Jacó – Machado de Assis
♦ O Cortiço – Aluísio Azevedo
♦ Antologia Poética – Olavo Bilac
UFVJM
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
1ª etapa SASI 2013
♦ A carta – Pero Vaz de Caminha
♦ Antologia Poética – Gregório de Matos
♦ Meu Livro de Cordel – Cora Coralina
2ª etapa SASI 2013
♦ Esaú e Jacó – Machado de Assis
♦ Antologia Poética – Olavo Bilac
♦ A Moreninha – Joaquim Manoel de Macedo
UNEB
Universidade do Estado da Bahia
♦ O Largo da Palma - Adonias Filho
♦ Tenda dos Milagres - Jorge Amado
♦ Além de Estar - Helena Parente Cunha
♦ Essa Terra - Antônio Torres
♦ O Desterro dos Mortos - Aleilton Fonseca
♦ A morte e a morte de Quincas Berro D’Água - Jorge Amado
Unemat (Vestibular Específico)
Universidade do Estado de Mato Grosso
♦ A cidade e as serras – Eça de Queirós
♦ Auto da compadecida – Ariano Suassuna
♦ Estrela da vida inteira – Manuel Bandeira
♦ Memórias de um sargento de milícias – Manuel Antonio de Almeida
♦ Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
♦ Menino do mato – Manoel de Barros
♦ O cortiço – Aluízio de Azevedo
♦ O primeiro beijo e outros contos – Clarice Lispector
♦ Primeiras estórias – Guimarães Rosa
Unicentro
Universidade Estadual do Centro-Oeste
♦ A Rosa do Povo – Carlos Drumond de Andrade
♦ As Melhores Crônicas – Rachel de Queiroz
♦ Contos Novos – Mário de Andrade
♦ Dois Irmãos – Milton Hatoum
♦ Dom Casmurro – Machado de Assis
♦ Jangada de Pedra – José Saramago
♦ Melhores Poemas – Manuel Bandeira
♦ Muitas Vozes – Ferreira Gullar
♦ O Rei da Vela – Oswald de Andrade
♦ Tempo de Menino – Domingos Pelegrini
Unimontes
Universidade Estadual de Montes Claros
1ª etapa PAES 2013
♦ Caramuru – Frei José de Santa Rita Durão
♦ História da Província de Santa Cruz – Pero Magalhães Gândavo
♦ A Santa Inês – José de Anchieta
♦ Crônicas do Descobrimento – Antônio Carlos Olivieri e Marco Antônio Villa
♦ Felicidade Clandestina – Clarice Lispector
♦ Filme - Caramuru: a invenção do Brasil (2001) – Guel Arraes
2ª etapa PAES 2013
♦ 10 contos insólitos - Histórias insólitas – Machado de Assis
♦ Encarnação – José de Alencar
♦ Noite na Taverna – Álvares de Azevedo
♦ A luneta Mágica – Joaquim Manuel de Macedo
3ª etapa PAES 2013
♦ Navio Negreiro e Canção Africana – Castro Alves
♦ Negrinha (conto) – Monteiro Lobato
♦ Clara dos Anjos – Lima Barreto
♦ Clara dos Anjos: História em Quadrinhos – Marcelo Lélis
♦ Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves
♦ Filme: A Cor Púrpura – Steven Spielberg
URCA
Universidade Regional do Cariri
♦ Faca – Ronaldo Correia de Brito
♦ Contos Negreiros – Marcelino Freire
♦ Para viver um grande amor – Vinícius de Moraes
♦ O silência laminado do casulo – Cleílson Pareira Ribeiro
♦ Aves de Arribação – Antônio Sales
♦ As odes de Ricardo Reis – Fernando Pessoa
UVA (CE)
Universidade Estadual do Vale do Acaraú
♦ Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
♦ Helena - Machado de Assis
♦ Casa de Pensão - Aluísio Azevedo
♦ A Carne - Júlio Ribeiro
♦ O Seminarista - Bernardo Guimarães
sábado, 5 de outubro de 2013
"Macunaíma" - Filme completo
Para fazer download da obra: http://download.baixatudo.globo.com/docs/Macunaima.pdf
MACUNAÍMA E A FORMAÇÃO DE UMA CULTURA BRASILEIRA
Fábio Della Paschoa Rodrigues
“A tentativa de implantação da cultura
européia em extenso território, dotado de condições naturais, se não
adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da
sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em conseqüências.
(...) Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas
instituições, nossas idéias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente
muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em
nossa terra. (...) Podemos construir obras excelentes, enriquecer nossa
humanidade de aspectos novos e imprevistos, elevar à perfeição o tipo
de civilização que representamos: o certo é que todo o fruto de nosso
trabalho ou de nossa preguiça parece participar de um sistema de
evolução próprio de outro clima e de outra paisagem.”
(Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil)
INTRODUÇÃO
O movimento
modernista da década de 20 ambicionava tornar o Brasil uma nação com
forma própria, conquistando nossa individualidade cultural e um lugar no
“concerto das nações”, como dizia Mário de Andrade. Nessa tarefa, o
autor modernista, baseando-se em certas teorias históricas e
filosóficas, empenhou-se em produzir um trabalho que afirmasse a
entidade nacional e assim criou o seu Macunaíma.
Neste trabalho, discutiremos questões nacionais levantadas por Macunaíma e as
influências e analogias entre a obra de Mário de Andrade e algumas das
grandes teorias históricas, particularmente as de Herder, Spengler e
Keyserling. Além disso, transportaremos as imagens macunaímicas para
nossa realidade atual “globalizada”, fazendo um pequeno paralelo entre
Macunaíma e o Brasil dos anos 90 do século XX.
AS INTENÇÕES DE MACUNAÍMA
Como o próprio Mário declarou, ele teve muitas intenções ao escrever Macunaíma,
tratando de diversos problemas brasileiros: a falta de definição de um
caráter nacional, a cultura submissa e dividida do Brasil, o descaso
para com as nossas tradições, a importação de modelos socioculturais e
econômicos, a discriminação lingüística etc. Mas a principal preocupação
de Mário de Andrade foi buscar uma identidade cultural brasileira. O
Brasil na época (e também hoje) não tinha “competência” para desenvolver
uma cultura autônoma e toma emprestado modelos europeus, que não se
adaptam ao nosso clima quente. A nossa cultura, então, deveria ser
distinta das outras e possuir, por outro lado, uma totalidade racial;
deveria provir das raízes que aqui haviam, das culturas populares
existentes nos recantos do país. O Brasil, como entidade cultural, seria
construído pela mistura de todas essas culturas (orais) de cada região
brasileira. É justamente o que o escritor faz em Macunaíma:
compõe a sua rapsódia reunindo lendas, folclores, crendices, costumes,
comidas, falares, bichos e plantas de todas as regiões, não se referindo
a nenhuma delas, misturando inclusive as diversas manifestações
culturais e religiosas, dando assim um aspecto de unidade nacional, que
não condiz com a realidade dividida de nossa cultura. Referindo-se a
essa “desgeografização”, Mário de Andrade anota num de seus prefácios
inéditos:
“Um dos meus interesses foi
desrespeitar lendariamente a geografia e a fauna e flora geográficas.
Assim desregionalizava o mais possível a criação ao mesmo tempo que
conseguia o mérito de conceber literariamente o Brasil como entidade
homogênea = um conceito étnico nacional e geográfico.”
Comentando esse
esforço de juntar os elementos constitutivos do ser nacional, Eduardo
Jardim de Moraes (In: Berriel, 1990) nota que:
“Na composição de Macunaíma e
em seus escritos críticos da época nota-se o cuidado rigoroso de efetuar
o levantamento do material que torna possível traçar o perfil do
Brasil. Era intenção de Mário de Andrade, em sua perspectiva analítica,
ao justapor os variados elementos culturais presentes na esfera
nacional, chegar à definição de um elemento comum que qualificasse todos
como pertencentes ao mesmo patrimônio cultural.”
Para Mário de
Andrade, a modernização brasileira, isto é, a conquista de uma
identidade cultural só seria possível se tomássemos consciência de
nossas tradições. Em entrevista concedida em 1925, o escritor afirma que
“ toda tentativa de modernização implica a passadização da coisa que a gente quer modernizar”. Vai mais além: “nós
só seremos de deveras uma Raça o dia em que nos tradicionalizarmos
integralmente e só seremos uma Nação quando enriquecermos a humanidade
com um contingente original e nacional de cultura”. Macunaíma é,
portanto, uma tentativa de modernizar o Brasil através do passado, de
nossas tradições; é também a tentativa de fundar a raça brasileira,
estreitamente ligada ao seu ambiente geográfico, ao seu clima.
Todas essas intenções
macunaímicas tomam por base conceitos de raça e cultura construídos
pela filosofia européia, particularmente a alemã. Ele como que tomou
emprestado certos conceitos, mas adaptando-os ao nosso clima quente.
Passemos então, a analisar os pontos de convergência entre sua obra e as
teorias históricas.
MACUNAÍMA E AS TEORIAS HISTÓRICAS
Comecemos analisando
as relações entre a obra andradiana e o pensador alemão Johann Gottfried
Herder (1744-1803). Para Herder, a característica mais importante da
história é a pluralidade e a individualidade das nações, justamente o
que buscavam nossos modernistas.
Apesar de não haver
material comprovando que Mário de Andrade leu Herder – conforme aponta
C. E. Berriel (1987), as idéias deste pensador são claramente notadas na
obra do escritor (que podem ter vindo através de Spengler ou do
Romantismo brasileiro, ambos influenciados por Herder). O filósofo
acreditava que “a literatura de uma nação deve ser verdadeira para com
as tradições e o caráter íntimo da mesma nação, e a sua atitude para com
a natureza” (Gardiner, 1995). Ora, Macunaíma é esta literatura:
busca resgatar as tradições folclóricas brasileiras e afirmar um caráter
nacional (que, para Mário, supostamente não há). O pensamento herdiano
enfatiza os conceitos de caráter nacional e de meio ambiente, em que há
uma unidade entre geografia, cultura e raça. Lendo atentamente Macunaíma,
percebemos que Mário de Andrade utiliza todos esses conceitos em
seu livro: nosso herói adquire características adequadas ao meio em que
vive, ao seu espaço geográfico (que depois abandonará como sabemos),
ele é a tentativa de fundar a raça brasileira a partir das “três raças
tristes” que dão origem ao brasileiro e, mais ainda, é a possibilidade
da criação de uma cultura nacional autêntica.
O escritor modernista
partilhava da mesma idéia de que a paisagem está dentro do ser humano,
como experiência coletiva ou individual de estar em um determinado
lugar, a natureza captada pelos sentidos. Na concepção de Herder, o
homem se origina a partir e dentro de uma raça, que está intrinsecamente
ligada à paisagem, como ele ilustra em uma metáfora:
“Tal como a água de uma nascente
recebe do solo donde brota a sua composição, as suas qualidades atuantes
e o seu sabor, assim o antigo caráter dos povos proveio de traços
raciais, do clima, do tipo de vida e da educação, das ocupações
primitivas e das ações peculiares a cada um desses povos.”
Neste sentido, Mário
traduz literariamente a filosofia de Herder. Ele acreditava que
deveríamos construir uma cultura, em sentido amplo, adaptada ao nosso
clima, à nossa paisagem. Em resposta a um questionário da Editora
Macaulay, em 1933, Mário declarou: “Tanto o meu físico como as minhas
disposições de espírito exigem as terras do Equador. Meu desejo é ir
viver longe da civilização, na beira de algum rio pequeno da Amazônia...”
Ele acreditava que a preguiça era uma necessidade para os povos de
clima quente como o Brasil, já que o “trabalho semanal e de tantas horas
diárias” era coisa de civilizações cristãs de clima frio.
Mário de Andrade problematiza em Macunaíma as idéias de Herder segundo as quais o destino de um povo “depende
primordialmente do tempo e do lugar em que nasce, das partes que o
compõem e das circunstâncias exteriores que o rodearam”. Para a
formação da entidade nacional é necessário superar todos esses
obstáculos que se impõem diante do herói: primeiramente ele não tem
caráter, não é ligado ao seu meio geográfico (que, inclusive, renega ao
final do livro), as partes (raças) que o compõem são conflitantes com a
opressão do componente europeu, o tempo em que o Brasil vive passa por
um período de transição, início da industrialização nacional.
Verificamos vários outros obstáculos que nosso herói encontra e que tem
relação com a teoria herdiana. Herder acreditava que os povos incultos
adquirem conhecimentos pela prática ou pelo intercâmbio com outros, mas Macunaíma (o
Brasil, na verdade) só importa conhecimento, não troca, ou quando o faz
troca “borboletas” por “idéias”, isto é troca o “exótico” pelo
“civilizado”. Ainda para ele, os povos permanecem ligados entre si,
influenciando uns aos outros, de acordo com a relação de maior ou menor
poder, em que o país submisso é subjugado pelo opressor; o Brasil, nessa
relação é quase totalmente submetido à cultura cristã européia e não
tem forças para influenciar esse continente. Enfim, o Brasil só se
consolidaria como entidade cultural se crescesse das próprias raízes,
como preconizava o filósofo alemão. Macunaíma, ao invés disso,
abandona suas raízes e se rende ao clima frio europeu, desprezando suas
tradições e renegando sua paisagem tropical.
Para Herder a história de um povo é orgânica (como também para Spengler, como veremos mais adiante): “uma nação, tal qual o homem, crescerá e morrerá, inevitavelmente”.
Mário de Andrade descreve literariamente a nossa história orgânica,
desde o nascimento da possível cultura brasileira até seu quase
desenvolvimento e enfim sua morte, ou seja, a vida de Macunaíma.
A influência de
Oswald Spengler (1880-1936), outro pensador alemão, na obra de Mário de
Andrade é patente e reconhecida. Mário leu e se inspirou na obra “A decadência do Ocidente” e em diversas passagens de Macunaíma reconhecemos imagens spenglerianas.
Segundo P. Gardiner (1995), Spengler dá preferência “ao
instinto, em oposição ao entendimento, à vida no campo em oposição à
vda na cidade, a fé e o respeito pela tradição em oposição ao cálculo
racional e ao interesse próprio, à intuição e à imaginação em oposição à
análise e ao método científico”. Ainda para Spengler, “uma
cultura nasce no momento em que uma grande alma despertar do seu estado
primitivo e se surpreender do eterno infantilismo humano; quando uma
forma surgir em meio do informe; quando algo limitado, transitório,
originar-se no ilimitado, contínuo. Floresce então no solo de uma
paisagem perfeitamente restrita, à qual se apega, qual planta”. Isto é, com algumas modificações, a descrição de Macunaíma.
Vejamos: Macunaíma é
essa alma adormecida que nasce do ilimitado (o “silêncio tão grande”) no
“fundo do mato virgem”, portanto, muito longe da cidade; ele usa sua
mágica (intuição) para agir e prever as coisas. Mas nosso herói ficará
para sempre “carinha enjoativa de piá”, pois enganara as tradições
folclóricas, que ora defende ora se afasta delas (defende o Pai do
Mutum mas foge de Capei); age sempre por interesse próprio, não tem
caráter; e não se apega “qual planta” à sua paisagem.
Percebemos no livro as diversas oposições levantadas por Spengler: destino x causalidade, cultura x civilização, história x natureza, crescimento e vida xdecadência e morte. Aliás, a oposição principal de Macunaíma não
é a do herói com o gigante Venceslau Pietro Pietra, mas sim a oposição
entre a mata tropical e a cidade temperada, ou seja, a oposição entre
cultura (tradição) e civilização, que é oposição básica de Spengler.
No percurso do “herói de nossa gente”, Mário tenta construir a cultura brasileira, segundo os conceitos de Spengler, para quem “as massas de seres humanos fluem numa corrente sem obstáculos, da qual surge de vez em quando a Kultur autoconsciente”;
porém, a falta de caráter do herói não possibilita o surgimento da
cultura brasileira. Além disso, o herói de nossa gente encontra
obstáculos na sua vida, quando está se desenvolvendo: ele se depara com o
roubo da muiraquitã (cultura brasileira) pelo gigante Piaimã – o Brasil
ao tentar construir sua unidade cultural encontra a Europa no meio do
percurso.
Assim como para
Herder, Spengler acredita que a força da cultura depende das raízes, da
adaptação à terra, à afinidade com a natureza e a consolidação da raça.
Para ele, “a História Mundial é a história da ascensão e queda de nações e raças”.
E a raça é uma questão de um “sentimento comum” que une gerações
sucessivas num todo. Spengler, como já dito, construiu uma concepção
orgânica de história e foi além de Herder, supostamente prevendo o
destino de todas as civilizações. Outro ponto de concordância entre os
dois filósofos era a afirmação de que cada cultura tem o seu caráter
específico ou “alma”. Na visão spengleriana “cada cultura tem as suas possibilidades de expressão, que surgem, amadurecem, decaem e não voltam a se repetir”.
Já vimos que Mário utiliza essas idéias em seu livro, contando a vida
do herói brasileiro, na verdade a vida da cultura brasileira.
Mário também crê na
concepção spengleriana de que a indústria (o estágio mais avançado da
civilização) é o grande inimigo da Natureza. Ela destrói as nações, as
culturas nacionais. A máquina altera a relação do homem com a Natureza,
interpondo-se entre eles. Macunaíma se vende às máquinas, quase se
tornando uma, e assim frustra-se a tentativa de se estabelecer uma
cultura nacional. O herói, como não tem caráter, é facilmente comprado
pelas atrações da máquina, esquece a natureza, renega as tradições. Na
cidade não há espaço para o sagrado, pois “isso de deuses era gorda mentira antiga”
como diz uma “filha da mandioca” para o herói. A máquina não era deus e
ninguém podia brincar com ela , pois ela matava. Ao refletir sobre
máquinas e homens, Macunaíma chega à conclusão de que “os homens é que eram máquinas e as máquinas é que eram homens”. Nesse momento, nosso herói começa a maquinar, ele absorve a civilização pois não tem caráter.
Na cidade não há
povo, mas uma massa. A cidade-máquina devora os homens e Macunaíma
também é devorado por São Paulo. Ele não consegue mais viver e, outro
solo que não esse, petrificado; a mata já lhe é estranha e monótona,
ele não compreende mais o silêncio que o originou. Assim, Macunaíma, nas
palavras de Spengler, “leva a cidade constantemente comsigo (...) perdeu o campo em seu interior e nunca mais o encontrará no mundo de fora”.
A gênese das
culturas, na teoria spengleriana, é representada pelo mundo rural, o
urbano é a corporificação da decadência das civilizações; a civilização “é
um epílogo, a morte seguindo-se à vida, a rigidez seguindo-se à
expansão (...) o mundo-cidade petrificante seguindo-se à mãe-terra.”.
Macunaíma, rendendo-se à civilização, entra em decadência, petrifica-se
e vê São Paulo se petrificar. Mário constrói uma imagem magnífica: para
ele, São Paulo deveria se preocupar com o exercício da preguiça, mas
como não tem caráter, ela se transforma em um imenso bicho preguiça de
pedra.
Mas a cultura
brasileira não morre de todo. Mário, de certa forma, acredita no Brasil e
deixa, no final do livro, a possibilidade de construirmos a nossa
cultura: Macunaíma, na verdade, não morre, sobe para o campo vasto do
céu, vira tradição, que poderá ser resgatada e transmitida (como aliás, é
transmitida ao próprio Mário noEpílogo).
Essa visão otimista
com relação à formação de uma nação brasileira, Mário deve a Keyserling,
único pensador que teve sua influência creditada explicitamente, num
dos prefácios inéditos.
Na concepção de
Keyserling, o homem é uma entidade real que se manifesta através de
criações culturais. A teoria dele, assim como a de Herder, afirma o
particularismo das culturas e ao mesmo tempo seu lugar universal. O
conceito de cultura keyserlinguiano está relacionado a um passado vivo e
a cultura “é a forma da vida, como imediata expressão do espírito (...)
é obrigação com relação a um passado vivo, (...) é exclusiva e,
portanto, estritamente limitada no exterior; é essencialmente unitária,
pelo que cada coisa particular nela pressupõe e alude à totalidade” (que, enfatizamos, é o conceito utilizado pelos modernistas de 20). Mas, diferentemente de Spengler, para ele “todas as culturas tradicionais do planeta estão em decadência”,
não só a civilização ocidental. Mas se Keyserling considera que todas
as culturas tradicionais estão em decadência, porque centradas “no irracional, no impulsivo”
– que é intransferível e, assim, não dando continuidade à cultura, por
outro lado, a cultura pode ser perpetuada através de tradições vivas.
Mário compartilhava
do otimismo de Keyserling, que acreditava que a tradição viva era a via
de transmissão da cultura, a despeito da decadência inevitável das
civilizações. Por isso Macunaíma, apesar de ter perdido a muiraquitã (a
cultura brasileira) vira constelação (tradição). Ou seja, agora ele se
transformou em instrumento de transmissão do que poderia vir a ser a
entidade brasileira. O projeto andradiano, portanto, pode ser resgatado
pelas gerações futuras.
Para Keyserling uma nova cultura se desenvolve “quando da mescla se origina o equivalente a uma nova raça definida”.
Esse postulado permite Mário de Andrade conceber a gênese da Raça
brasileira, criando seu herói a partir da mescla das três raças tristes
(índio, branco e negro). Nosso herói, infelizmente como sabemos, deixa
que sua porção branca oprima as outras e se vende à civilização
decadente, não definindo uma nova Raça. Cabe ressaltar aqui que a porção
branca de Macunaíma – vinda dos portugueses – já era mestiça e não se
constituía como Raça; citando Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do
Brasil: os portugueses apresentavam “ausência completa, ou
praticamente completa de qualquer orgulho de raça (...) Essa modalidade
de seu caráter explica-se muito pelo fato de serem os portugueses um
povo de mestiços”.
Mário de Andrade
encontra outro ponto de apoio em Keyserling, com relação à aversão à
industrialização nascente, ao capitalismo verdadeiro, como nota
C.Berriel (1987):
“Keyserling oferece uma alternativa
“não-burguesa” de leitura da realidade histórica, ao rejeitar a economia
e a materialidade como formas explicativas. Assim, a crise da sociedade
contemporânea pôde ser vista, tanto por Spengler e Keyserling, como por
Mário de Andrade, como uma crise da cultura pura e simplesmente”.
Todas essas
postulações keyserlinguianas deram base para que Mário criasse seu
“poema fundador” da raça brasileira ligada à paisagem tropical, e, por
conseqüência, desenvolver a cultura brasileira. Ao pessimismo de
Spengler, Mário prefere a possibilidade keyserlinguiana de manter a
tradição brasileira viva, na esperança de que ela venha a se despertar
novamente; por isso mesmo é que escuta do papagaio a vida do herói de
nossa gente e nos transmite.
AS IMAGENS MACUNAÍMICAS E O BRASIL ATUAL
À luz das idéias e conceitos expressos em Macunaíma,
transportaremos algumas de suas imagens para o Brasil da era
globalizada. A intenção aqui não é aplicar uma teoria histórica (ou sua
releitura literária) à atualidade brasileira, nem fazer uma crítica
aprofundada sobre a cultura brasileira nos dias de hoje; para isso,
seriam necessárias pesquisa e análise mais aprofundadas. A intenção
é mostrar pontos de contato entre obra de Mário de Andrade e nosso
atual contexto cultural e econômico, é também mostrar que a tradição
macunaímica se faz sentir em nossos dias, com as mesmas questões que
preocupou os modernistas na década de 20.
A Globalização
implica na anulação da identidade nacional dos povos. Ela supostamente
unificaria todas as nações o que, na verdade, levaria à perda da
identidade cultural de cada nação. Neste sentido, a nova caminha para um
objetivo contrário ao das teorias de Herder, Keyserling e da proposta
modernista, em que a cultura se afirma como nação pela sua
particularidade. O mundo globalizado não admite tradições e
particularidades, num momento em que a palavra de ordem é “comunicação”.
Comunicação virtual, a informação em alta velocidade através da máquina
computador. Uma tribo africana sem e-mail ou home page ficará
obsoleta, entrará em decadência, muito mais rapidamente que as
civilizações preconizadas por Spengler. A civilização conquistou de tal
forma uma técnica apurada – as novas tecnologias, que aceleram
desenfreadamente o desaparecimento da cultura tradicional, como dizia
Keyserling.
A cultura brasileira,
seduzida por essa Uiara, está cada vez mais enxertada de
estrangeirismos, que passaram a ser considerados como agregados
culturais que contribuiriam para o enriquecimento de nossa “cultura”. O
povo (quer dizer, a massa) não se dá conta muitas vezes de que essas
“contribuições” na verdade fazem parte de um processo de “lavagem
cerebral” das nossas tradições, que a influência cultural e econômica
continua sendo unilateral. Não há fluxo de troca entre Brasil e a nova
civilização ocidental hegemônica, os Estados Unidos, por exemplo;
exportamos “futebol” e importamos “tecnologia”. Cada vez mais nossa
realidade é afetada pela bolsa de Nova Iorque, de Tóquio, de Hong Kong
etc... Cada vez mais a nossa cultura se rende a enlatados
norte-americanos, mexicanos, argentinos... pois a produção nacional
(quer seja cultural, social, econômica) não tem valor.
O atual herói se
vendeu muito mais facilmente à civilização que o Macunaíma. O novo herói
de nossa gente é o Sr. Presidente da República, Fernando Henrique
Cardoso (FHC) que, assim como Macunaíma, não tem caráter: lutou contra a
ditadura militar mas entrega agora o país ao capital estrangeiro; diz
estar ao lado do povo, mas no capítulo seguinte declara que os
aposentados são vagabundos e aprova um plano de previdência que
prejudica os trabalhadores; diz defender os pobres para depois salvar
bancos privados da falência, despendendo cifras milionárias e cobra mais
impostos dos cidadãos. Ele esquece nossas “tradições” e vende nosso
petróleo, nossa energia, nossas telecomunicações para os civilizados
europeus e norte-americanos. Os gigantes Piaimãs ACM, Tio Sam, FMI
querem devorar nosso herói que, para se salvar (entenda-se: salvar a si
próprio, não a nação) se transforma em Superman ou Tio Patinhas usando sua “mágica”. A Uiara Globalização seduziu nosso herói por completo, sem a hesitação de Macunaíma.
Percebemos que há
várias semelhanças entre as aventuras macunaímas e as aventuras de FHC.
Talvez Mário de Andrade, Spengler e Keyserling tenham razão e a depender
do novo herói, nosso quadro confirmará as teorias aqui comentadas,
reiterando o que Sérgio Buarque de Holanda declarou em seu Raízes do Brasil: “somos uns desterrados em nossa terra”.
BIBLIOGRAFIA
ANDRADE, Mário de. Entrevistas e Depoimentos. Edição organizada por Telê Porto Ancona Lopez. São Paulo: T. A. Queiroz, 1983.
__________. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter – Edição crítica de Telê Porto Ancona Lopez. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978.
__________. O Turista Aprendiz. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1983.
BERRIEL, Carlos Eduardo (org.). Mário de Andrade hoje. São Paulo: Ensaio, 1990.
________. Dimensões de Macunaíma: Filosofia, Gênero e Época. Tese de Mestrado, UNICAMP, 1987.
GARDINER, Patrick. Teorias da História. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1995.
HERMAN, Arthur. A idéia de decadência na história ocidental. Rio de Janeiro: Editora Record, 1999. Cap.7
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1971.
LOPEZ, Telê Porto Ancona. Macunaíma: a margem e o texto. São Paulo: Hucitec, Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo, 1974.
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/m00002.htm
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/m00002.htm
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